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Medicina do Trabalho
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Dia Nacional da Esclerose Múltipla: informação segura, sinais de alerta e caminhos de cuidado
Tags: esclerose múltipla, sintomas esclerose múltipla, neurite óptica, ressonância magnética, bandas oligoclonais, tratamento modificador da doença, fadiga, reabilitação, AcessaMed+ neurologia
A esclerose múltipla (EM) é uma doença neurológica autoimune que atinge o cérebro e a medula espinhal, provocando inflamações em áreas de mielina — a “capa” que isola os neurônios. O Dia Nacional da Esclerose Múltipla é um convite a trocar medo por informação confiável. Embora não tenha cura, hoje existem terapias que reduzem surtos, desaceleram a progressão e preservam a qualidade de vida. O primeiro passo é reconhecer sinais precoces, buscar diagnóstico correto e construir, com a equipe de saúde, um plano de tratamento realista e sustentável.
O que é EM — e como costuma se manifestar
A EM pode aparecer em surtos (sintomas novos que duram dias ou semanas) ou evoluir de forma progressiva desde o início, sem crises definidas. Nem todo formigamento é EM, mas alguns quadros pedem atenção. A doença é heterogênea: duas pessoas raramente têm a mesma combinação de sinais, por isso a avaliação clínica é insubstituível.
Sinais de alerta mais comuns
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Neurite óptica: dor ao mover os olhos e queda de visão em um deles.
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Formigamento ou dormência que sobe de um membro para o tronco.
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Fraqueza em braço ou perna, com “arrastar” do pé.
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Desequilíbrio, tontura ou instabilidade ao caminhar.
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Fadiga intensa desproporcional às atividades do dia.
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Sensibilidade ao calor: piora transitória dos sintomas após banho quente ou dia muito quente.
O que não é EM (e merece investigação diferenciada)
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Piora passageira de sintomas antigos durante febre, infecção urinária ou privação de sono (pseudorrecaída).
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Dormências fugazes em contextos de ansiedade ou alterações posturais — o neurologista ajuda a diferenciar.
Como se confirma o diagnóstico
O diagnóstico da EM combina história clínica, exame neurológico e evidências de disseminação no tempo e no espaço (lesões em momentos e locais diferentes do sistema nervoso). Não existe um “teste único” que dê a resposta sozinho; é a soma das peças que traz segurança ao médico.
Exames que podem ser solicitados
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Ressonância magnética de encéfalo e medula: mostra lesões típicas em regiões como periventricular, corpo caloso e medula cervical.
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Líquor (LCR): pesquisa de bandas oligoclonais pode reforçar o diagnóstico em casos duvidosos.
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Potenciais evocados visuais: úteis quando há suspeita de neurite óptica ou RM inconclusiva.
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Exames de sangue: para excluir condições que imitam EM (déficit de B12, infecções, doenças autoimunes).
Tratamento hoje: controlar o surto e proteger o futuro
O cuidado atual mira dois alvos: encurtar a inflamação aguda e reduzir a atividade da doença a longo prazo. O plano é individual, ajustado conforme idade, forma clínica, imagens, comorbidades e planos reprodutivos.
Durante o surto
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Corticoterapia de curta duração (sob supervisão médica) para acelerar a recuperação funcional.
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Reabilitação direcionada (fisioterapia/terapia ocupacional) já nas semanas seguintes ao surto.
A longo prazo (terapias modificadoras da doença)
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Opções injetáveis, orais e infusionais — escolhidas pelo perfil de eficácia e segurança.
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Acompanhamento periódico com clínica e RM: objetivo é atividade mínima ou ausente da doença.
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Vacinação atualizada e manejo de comorbidades (vitamina D, saúde cardiovascular) para reduzir riscos.
Suportes complementares que fazem diferença
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Fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia para força, equilíbrio e comunicação.
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Manejo de sintomas: fadiga, dor neuropática, espasticidade, alterações urinárias/sexuais.
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Saúde mental: psicoterapia e educação em EM reduzem ansiedade e melhoram adesão.
Desinformação: onde a internet ajuda — e onde atrapalha
A rede amplia acesso a relatos e comunidades de apoio, mas também espalha mitos. Desconfie de “curas naturais” que prometem resultados rápidos, protocolos sem evidência e depoimentos que “curam tudo”. A consequência costuma ser atrasar terapias eficazes, abandonar medicamentos e sofrer efeitos colaterais de substâncias não regulamentadas. Informação é bem-vinda; autodiagnóstico e automedicação não.
Sinais de alerta de fake news
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“Funciona para todos, em qualquer fase.”
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“Não precisa de acompanhamento médico.”
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“Cura garantida em 30 dias.”
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“Proibido pela indústria porque é barato.”
Vida prática com EM: autonomia possível
Mesmo com EM, é possível planejar rotina produtiva e prazerosa. O segredo está em pacing (dosar esforço), sono regular, exercício adaptado e rede de apoio. Em dias quentes, priorize lugares ventilados, roupas leves e hidratação; o objetivo é evitar a piora transitória dos sintomas.
Hábitos que ajudam no dia a dia
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Exercício: hidroginástica, bicicleta ergométrica, treinos intervalados leves.
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Sono: horário estável e higiene do sono.
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Alimentação: padrão equilibrado, rico em fibras, legumes e proteínas magras.
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Planejamento: alternar tarefas exigentes com pausas curtas (10–15 min).
Quando procurar atendimento com prioridade
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Queda súbita de visão ou dor ocular com perda visual.
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Fraqueza nova em braço ou perna, dificuldade para andar ou quedas.
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Dormência extensa que não melhora em 24–48h.
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Alteração súbita de fala, coordenação ou equilíbrio.
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Febre ou infecção que piora sintomas antigos: trate a infecção e reavalie.
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Fontes: Organização Mundial da Saúde – Esclerose Múltipla (2023–2024); Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF) – Recomendações de cuidado integrado (2024); Academia Brasileira de Neurologia – Consensos em EM (2024); diretrizes internacionais de terapias modificadoras (2023–2025).
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